Reportagem do Globo Repórter de 25 de Junho de 2004 !!! Quem for assinante, entra na site que tem vídeos!
Nos jardins, há muito mais do que a beleza das pétalas. Assim como os pomares não fornecem apenas o alimento. Vem da natureza mais um novo caminho que pode nos levar ao alívio das doenças. Um caminho que percorre os ares exalando perfumes e que recebeu o nome de aromaterapia. Se você duvida dos cheiros das flores, das plantas e das frutas como alternativa de tratamento, uma boa notícia: os pesquisadores estão encontrando efeitos terapêuticos em várias essências. Aromas que, em muitos casos, podem substituir os tranqüilizantes. Os testes estão sendo feitos no Instituto de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na primeira etapa, o objetivo é avaliar o efeito dos aromas nos ratos do laboratório, explica o psicólogo José Roberto Leite, coordenador da pesquisa. Em uma peça de madeira, que funciona como um pequeno labirinto, o bicho, em estado normal, tende a se esconder, buscando proteção. "Nós estamos estudando fundamentalmente duas essências: a de rosas e a de laranja. A de rosas se mostrou bastante efetiva", revela o pesquisador. Depois de passar sete minutos cheirando algodão com essência de rosas, o rato sai explorando o braço desprotegido do labirinto, uma área que normalmente ele evitaria. "Isso é uma indicação de que o efeito é tranqüilizante. Quando está sob esse efeito, ele perde o medo", diz o psicólogo. Banheira de cedro, ambiente de pouca luz, que transmite paz. Quando o óleo se mistura com a água morna o cheiro logo se espalha. A terapeuta Maria Rosemberg Mizrah prepara um banho em ofurô para uma pessoa resfriada. "Para ajudar a pessoa que está congestionada, eu coloco óleos de lavanda, alecrim, menta, eucalipto e cedro. Isso faz com que os brônquios se dilatem, a respiração melhore, a coriza pare e o muco seja eliminado. É como um descongestionante", explica a terapeuta. A banheira é coberta com pétalas de rosas. Sozinha no quarto, a empresária Eva Rabinovic vai aspirando o perfume das flores e das plantas. O tratamento dura 40 minutos. "Já respiro melhor”, afirma a empresária, dentro da banheira de ofurô. Para os pesquisadores, faltam as experiências de laboratório em seres humanos. Será a próxima etapa da pesquisa. "A expectativa é que a mesma ação observada em modelo animal seja reproduzida no ser humano e acabe-se concluindo que isso poderia ser útil em tratamento de algumas enfermidades, de alguns problemas humanos, como estresse, ansiedade", diz o coordenador da pesquisa da Unifesp. Quem poderia imaginar que a milenar medicina oriental está a um passo dos hospitais e clínicas do Ocidente? Estava escrito nas estrelas? |
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